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O IMPRESSIONISMO - MONET, RENOIR E OUTROS

Quando se fala de História da Pintura, é importante lembrarmos que os movimentos não têm datas certas de nascimento e de morte, e que a maioria dos artistas, apesar de priorizar certa forma de pintar, transitou por outros movimentos, o que impede uma classificação rígida do estilo de cada um.


O Impressionismo

O movimento teve origem na França, por volta de 1860, sendo um rebeldia contra o "romantismo", movimento em voga havia algumas décadas, e que pregava que a arte deveria transmitir "uma intensa emoção e espontaneidade individual". Como todo movimento novo, o Impressionismo contestava e era contestado.
Os pintores impressionistas celebravam a luz natural, e as várias formas como a iluminação poderia alterar a impressão que obtemos das cores. Ao contrário dos realistas, preocupavam-se menos com as formas - por isto os desenhos passam a ser menos detalhistas quanto aos contornos.
As temáticas giravam especialmente entre paisagens e cenas cotidianas. Em 1841 foi patenteado o tubo flexível de tinta, invenção simples, mas que permitiu que os artistas saíssem de seus ateliês e “conhecessem” os diferentes tons de luz da rua, dos campos, das horas do dia. Os artistas iam ao encontro das paisagens e, para facilitar seus deslocamentos, levavam telas pequenas – daí que muitas obras-primas do período tenham formato reduzido.
O Impressionismo recebeu este nome, a princípio de maneira jocosa, por um jornalista, ao comentar o quadro "Impressão – Levantar do Sol", de Monet (que está no Musée Marmottan, 16éme).
Entre os nomes de maior destaque, temos Cézanne, Degas, Manet, Monet, Pissarro, Renoir, Sisley e Toulose-Lautrec. Interessante notar que como não eram exatamente fiéis à realidade, mas sim às suas visões particulares de mundo, cada um dos principais mestres do período tem um estilo próprio, geralmente de fácil reconhecimento. Segue-se abaixo uma micro-biografia destes principais expoentes, em ordem alfabética.


Cézanne (1839 – 1906)

Para alguns, Cézanne já é um "pós-impressionista". Pintava muitas naturezas-mortas, mas sua “obsessão” era o monte Saint-Victoire, na região de Provence, sul da França.
Concebia a arte como uma ciência, e tentava representar as formas aproximando-as de cilindros, triângulos etc. Em suas pinturas, não existem sutilezas de gradação de tons, que mudam bruscamente.
O próprio pintor duvidava de seu talento. Mesmo o escritor Émile Zola, seu amigo, zombou dele em um livro. Ele persistia, mandando suas obras para o Salão de Paris, sendo recusado todos os anos.
Cézanne tinha um aspecto rústico, com barba espessa, botas, e seu hábito de comer com as mãos. Aos poucos, foi abandonando seu mundo cotidiano (mulher, filho, amigos), e passava os dias pintando. Apenas na velhice teve reconhecimento. Picasso reconheceu sua influência, e dizia que "Cézanne é o pai de todos nós".

Degas (1834 – 1917)

Degas ficou famoso por suas bailarinas, captando em seus quadros a leveza da dança das jovens, em tons pastéis. Depois passou a pintar mulheres em cenas intimistas. Também era escultor.
Apresentou-se em 7 das 8 exposições impressionistas, e era um dos líderes do movimento, apesar de ser, dentre eles, talvez o que mais desse valor às formas.

Manet (1832 – 1883)

Manet misturava temas renascentistas com o estilo de pintar do impressionismo. Contrastava luzes intensas com tons fortes de preto. Sua obra "Déjeneur sur l'herbe" ("Almoço no campo") não foi aceita no Salão Oficial de 1863, o que era algo relativamente normal – o interessante é que causou controvérsias até no "Salão dos Recusados", promovido por Coubert, para obras que haviam sido recusadas em salões oficiais.
"Olympia", aceita no Salão Oficial dois anos depois, mostrando uma cortesã nua provocando com seu olhar o expectador, causou ainda mais revolta.

Monet (1840 – 1926)

Monet e Renoir, talvez representem os maiores expoentes do Impressionismo. Porém, sua obra "Impressão – Levantar do Sol" foi mal recebida e acabou por dar origem ao nome do movimento. É famosa sua série Ninféias (que está principalmente no Musée de l'Orangerie, 8éme), pinturas inspirado no lago do jardim de sua casa (os reflexos na água, retratados nas telas, são especialmente bonitos) e a coleção de pinturas sobre a catedral de Rouen, em diversas luminosidades.
Alcançou o sucesso não apenas pela qualidade de suas obras, mas por se dar muito bem no meio do poder e por saber atender aos gostos do público.
Na velhice, sofreu de catarata (precipitada pelo fato de olhar muito para o Sol), o que alterou bastante as suas telas finais. Cézanne disse dele: "Apenas um olho, mas, Deus, que olho!".

Pissarro (1831 – 1903)

Pissaro foi o único pintor a ter obras nas 8 exposições impressionistas. Pintava especialmente paisagens, com poucas variações de cores, pastéis, mas quando começou a perder a visão deixou o ar livre e passou a pintar o que enxergava de sua janela, em Paris.

Renoir (1841 – 1919)

Renoir forma, com Monet, de quem era amigo, a dupla mais conhecida do movimento. Pintou muitas cenas parisienses, como bailes (sentado no meio da festa...). Seu quadro "O baile no Moulin de la Galette" talvez seja umas das estampas mais difundidas pelo mundo, e está no Musée d'Orsay.
Após os 50 anos, com reumatismo, não podia andar sem cadeira de rodas, mas continou trabalhando, tendo feito, em toda sua vida, mais de 6000 telas!

Sisley (1839 – 1899)

Sisley era inglês, mas vivia em Paris. Dedicou-se às paisagens, especialmente estradas, em pinturas de tons acizentados.

Toulouse-Lautrec (1864 – 1901)

Lautrec tem uma das biografias mais interessantes. Pintor das festas, dos cabarés e das prostitutas, ficou famoso também, além das telas, por seus cartazes. No Orsay, enormes esboços do artista, em papel comum.
Lautrec nasceu aristocrata, mas "fez o possível" para ficar à margem do sistema. Era uma figura estranha: sofria de nanismo, tendo apenas 1,52 metros e falava trocando o “s” pelo “t”. Bebia muito, vivia nos bordéis (dizem as más-línguas que ele lá vivia por ser a única opção a quem é muito feio). Morreu pobre e com sífilis.



No Musée d`Orsay encontramos uma excelente coletânea do movimento.


Musée d`Orsay

Era, até mais de 20 anos atrás, uma estação de trens desativada, quando então foi transformada em museu.
Guarda a arte feita de 1848 a 1914. Os impressionistas estão especialmente no terceiro andar, enquanto o segundo andar tem muitas obras de Art Nouveau.
Mas o museu possui vários outros artistas importantes, como o escultor Rodin ("A porta do Inferno" - falaremos do escultor em um outro capítulo) e os artistas plásticos Ingres, Delacroix, Coubert, Van Gogh, Seurat e Gauguin.

Ingres e Delacroix travaram, a certa altura de suas carreiras, uma disputa estética, entre o (neo-) Classicismo do primeiro e o Romantismo do segundo. São pré-impressionistas.
Já Coubert era um "agitador cultural". Organizou o "Salão dos Recusados" e pintou "A origem do mundo", quadro exposto neste museu, que mostra apenas o ventre de uma mulher nua, deitada, com as pernas abertas.
Van Gogh, o famossíssimo pintor (holandês, mas que viveu por muito tempo na França), de vida extremamente isolada e tumultuada, é considerado um pós-impressionista. Seu conhecido quadro "O quarto do artista em Arles" está no museu.
O pós-Impressionismo não chega a configurar um movimento, mas uma época, pois as obras mais representativas não possuem uma tanta semelhança que possam irmaná-las.
Seurat e Gauguin, por exemplo, são representantes distintos deste período. O primeiro buscou uma arte extremamente trabalhada, conhecida como Pontilhismo (pontos minúsculos de tinta na tela, formando uma figura apenas se vistos à distância), e o segundo, "revoltado com a civilização", mudou-se para o Taiti, onde pintava com cores fortes, emotivas.
Curiosidade: estes dois são citados em uma música de Caetano Veloso ("O estrangeiro"), além do antropólogo francês Levy-Strauss: "O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara / (...) O antropólogo Claude Levy-Strauss detestou a Baía de Guanabara: pareceu-lhe uma boca banguela / (...) Mas eu não desejo ver o terno negro do velho / Nem os dentes quase não púrpuras da menina / (pense Seurat, pense impressionista / Essa coisa de luz nos brancos dentes e onda / Mas não pense o surrealista que é outra onda) (...)"

O Museu possui, ainda, umas poucas obras de outros artistas famosos, como Matisse, Klint e Munch. E, para finalizar, muitos outros belos quadros de "ilustres desconhecidos".
Possui, ainda, um terraço de onde se pode ter uma bela vista da cidade, e onde os fumantes podem relaxar, nos necessários intervalos de um passeio que, para ser completo, fatalmente será prolongado.


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