MITOS E VERDADES SOBRE PARIS

Esta parte do livro talvez seja, para o leitor, a mais desagradável. Pois, sobre Paris, quase todas as “notícias” que nos chegam são boas. E, se falarei sobre mitos, é porque certamente irei retirar o véu que encobre algumas destas noções comuns.
É um reflexo, portanto, de um certo desencantamento meu com a cidade.
Penso, ao escrever esta parte do guia, em quem seria o seu leitor. Livros de viagem, suponho, são adquiridos por pessoas que irão viajar para determinado local. Portanto, acredito que você, leitor, possivelmente não conheça Paris. E, se não conhece Paris, é também provável que não conheça a Europa.
Para quem a conhece bem, este capítulo é uma bobeira. (Aliás, talvez o livro todo o seja.) Pois, para estas pessoas, não estarei contanto nenhuma novidade. Talvez existam muitos também os quais, mesmo sem nunca terem saído do Brasil, tenham (através de leituras honestas, ou informações recebidas de outras pessoas) uma visão mais realista do que é a Europa.
Nesta parte do livro, praticamente igualo “Europa” e “Paris”, pois, no imaginário coletivo, as duas palavras possuem o mesmo dom de evocar resistentes fantasias.
Escrevo estas linhas, portanto, em especial para aqueles que ainda têm uma imagem idealizada da Europa, da França, e de Paris.
Não quero ser, contudo, o estraga-prazeres. Suponho que este tipo de livro, como o meu, seja mais voltado para pessoas curiosas, que gostam de aprofundar-se em um assunto que seja de seu interesse. Sim, também são turistas que “tiram mil fotos” (as máquinas digitais são a maravilha do turista moderno), que querem ir aos pontos “imperdíveis”, mas, por outro lado, querem conhecer também a “vida real”, os problemas escondidos por baixo da fachada de agitação e euforia que existe em cada monumento.
Portanto, acredito que esta parte tenha também seus lados positivos, como ajudar o leitor/viajante “pesquisador” a enxergar mais facilmente as “impurezas” da cidade.
Também acho que saber antes é melhor que decepcionar-se quando já estiver lá, como aconteceu comigo.
Não penso que esta parte seja capaz de decepcionar alguém a ponto de fazer esta pessoa desistir de uma viagem. Pois, que algo fique frisado: os pontos negativos da cidade existem, sim, mas os pontos positivos, interessantes, existem, sim, e são muitos, como acredito ter mostrado nas Idéias.


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