histórias de serial killers e análises

conclusao

Após tantos dias, vendo tantas coisas, finalmente encontrei a “resposta” que fui buscar.
Paris é ótima. Desde que você vá com dinheiro suficiente para poder fazer tudo o que quer, desde que seja para passar alguns dias.
Não queria mais, portanto, fazer o mestrado lá. Não queria passar mais dois anos em Paris, talvez nem se ganhasse uma bolsa, ou algo assim.
Pra quê?
Talvez um período menor. Talvez voltar lá, mais adiante, em “férias”. Talvez um dia um filho meu queira conhecer a cidade, e eu ainda lembre de algo, e possa acompanhá-lo...
Mas a fantasia passou.
Como se, na primeira noite dormindo com aquela mulher pela qual éramos apaixonados, descobríssemos que, durante a noite, ela solta gases mortíferos...
Coloquei um ponto final em Paris assim mesmo, escatológico. Foi na noite na Fête de la Musique, voltando para o hotel. Haviam informado que, por causa da festa, algumas linhas de metrô iriam funcionar até mais tarde. Eu havia chegado à estação, e ela estava fechada, Não entendi, e tive que ir à pé. Estava há quase um mês na cidade, sabia bem o caminho de volta, mas seriam cerca de 30 minutos caminhando, depois de já ter passado o dia andando. Além disto, chuviscava. OK, mas tinha que ir embora, de todo jeito. Acendo meu cigarro, alguém vem e o rouba. Esta madrugada, estava injuriado com Paris, em suma. Passava em frente ao Pompidou, o museu, e estava apertado, querendo urinar. Olhei para os lados, não havia ninguém. Abri o zíper e urinei no muro de uma casa.
Pronto. Eu agora era um verdadeiro parisiense...
Voltei para o hotel leve, tranqüilo, resolvido.

No dia seguinte, pela primeira vez na viagem, comi um Big Mac e tomei uma Coca-Cola...
E vou confessar: estavam deliciosos, melhor que muita comida “típica” que havia comido em Paris. Ainda voltei neste McDonald`s umas duas vezes na semana seguinte...


* * *


A conclusão que cheguei, disto tudo, resumo em uma teoria. Podemos dizer que existe um mundo cinza, composto de pobreza, violência, corrupção, sujeira, ignorância, egoísmo exarcebado. E também há um mundo colorido, alegre, bonito, limpo, festivo, culto, menos egoísta. Há cores diferentes: em uma cidade, é o verde dos parques. Em outra, o amarelado das casas antigas. Em outras, o azul do mar, ou o bege das pessoas...
Eu poderia concluir, depois desta estadia na Europa, que toda cidade, toda, tem um núcleo cinza, igual em todas. Há o “capitalismo selvagem”, existem os McDonald`s, a Coca-Cola, a padronização dos gostos, dos comportamentos. Por outro lado, toda cidade tem o seu lado colorido.
O que torna uma cidade diferente da outra é o tamanho deste “núcleo cinza” (talvez ele seja maior nos Estados Unidos, mas hoje já não creio mais nestas idéias pré-concebidas...), e a “cor” que cada uma tem: umas são “amarelo”, outras “vermelho”, outras “azul” etc.
Paris tem, portanto, o seu inegável núcleo cinza. Mas também tem a sua cor. (Descubra você, qual é. Afinal, quem garante que enxergamos da mesma maneira?!)


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