Quis fazer este guia para quem tem ao menos um pouquinho do espírito do flâneur. Flanar significa passear sem destino fixo. Toma-se um rumo, e o Destino, auxiliado pelos gostos de cada um, se encarrega do resto. Mas como é possível fazer um “guia para flanar”, se flanar é sair sem rumo?! Não é uma contradição? Em termos. Primeiramente, porque não acho que nenhum programa que falarei aqui seja obrigatório. Se não gosto de arte antiga, porque ir ao Louvre?
Nada aqui é “obrigatório”. Entretanto, se quero ir ao Louvre, o que mais há por perto, de interessante?
Separei, então, os programas por “dias”, ou “Idéias”. Em xx Idéias. Em cada uma destas separações, coloquei os programas que achei possíveis de serem bem realizados no período de um dia. Claro que é possível em
PARTE I – ANTES DE TUDO...
Cap. 1 apenas um dia ver (correndo) todos os pontos turísticos principais da cidade e se dar por satisfeito com isto. Em outro extremo, quem ama arte pode gastar uma semana ficando apenas no Louvre. Então, é bastante relativo, concordo, este critério de “programas bem realizados”. É um intermediário indefinido entre “apenas olhar” e “passar dias no mesmo local”.
Eis a segunda razão pela qual é possível fazer um guia para flanar: meu guia não cobre exaustivamente o que se pode fazer em um dia. Se você o seguir verá que, em geral, não gastará da manhã até a noite para cobrir cada Idéia. O tempo que lhe sobra, assim como tudo o mais, é seu! Em excursões existe a tal da “tarde livre”. Como se você fosse preso nos outros dias! E, de certa forma, é mesmo. Não me deixa de ser estranho estar passeando, ou seja, de férias, livre, e ser, literalmente, “guiado”. Este guia não serve muito a quem está em uma excursão tipo “7 países da Europa em 15 dias”. Nada contra este tipo de viagem! Só que nesta forma de viajar, flanar é, literalmente, a última coisa possível.
E a terceira razão pela qual acho ser possível um guia para o flâneur é que falo um pouco de programas típicos de quem flana, como fazer um piquenique, ver vitrines ou ver pessoas.
Porém, como mesmo quem passeia à esmo quer ver coisas interessantes, um guia pode te ajudar nas suas descobertas. Flanar é uma coisa. Bem flanar é outra.
Se o visitante ficará na cidade uma quantidade menor de dias que a quantidade de Idéias sugeridas neste guia (o que é bem provável que aconteça), que escolha, após a leitura completa, os programas que mais lhe interessar.
A minha sugestão é: escolhidas as visitas principais, tentar sintetizar também as atrações secundárias. Por exemplo, se quero visitar hoje a Torre Eiffel e a Catedral de Notre-Dame, que estão em regiões da cidade (e capítulos) diferentes, verificar nos capítulos das duas atrações quais são as outras pequenas coisas interessantes que se pode fazer, e criar seu próprio roteiro do dia.
Pois o grande problema do viajante é justamente tempo. Se pudéssemos, passaríamos a vida toda viajando, não? Há tanta coisa neste mundo para ser vista! Pois é, mas não temos tanto “tempo” (leia-se: dinheiro). Então, limitados, temos que selecionar.
Quantos dias você ficará em Paris? Existe um conceito, entre alguns estudiosos do turismo, que é o do “golden number”, o número dourado, aquela quantidade de dias mínima para se conhecer o máximo de coisas “importantes” de um local. Eu diria que o “golden number” de Paris é por volta de 7 dias. Com menos, também é possível conhecer o básico da cidade. Mas, como já disse, “o básico da cidade” (ou seja, os pontos turísticos), não é verdadeiramente a cidade.
Levam-se alguns dias até entrar-se “no clima” de qualquer cidade desconhecida. Saber andar por suas ruas, pegar o metrô sem perder-se, já saber diferenciar algo que é bom na culinária local ou não, ter uma noção de como são os cidadãos... Abaixo de uns 4 dias não é possível captar este “espírito” da cidade.
Em uma semana, é possível fazer o “circuito obrigatório” (Torre Eiffel, Notre-Dame, Arco do Triunfo etc.) e mais um pouco. É este “mais um pouco” que te permitirá captar algumas das sutilezas da cidade, conhecer uma outra Paris, diferente das fotos e dos guias (inclusive deste!).
Mais de 7 dias eu recomendaria apenas a quem tem, como eu tinha, uma “tara” por Paris. Mas estas pessoas irão programar assim prolongada a sua viagem independente deste conselho, creio eu...
Para o verdadeiro flâneur este guia será apenas um ponto de partida, literalmente. Quando ele olhar para o lado e vir algo interessante, inesperado, não-relatado, mudará de rumos e de planos, sem remorsos.
Sem problemas... Aqui, quem manda é a vontade.
como usar ete guia (sugestoes)
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